Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

1ª. TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL

 

1ª. TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL

Foi entregue na Junta de Freguesia de Sendim, pelo sr. António Fernandes, um diário que pertenceu ao seu sogro Domingos Augusto Fernandes.

 

          

Este diário tem direito a notícia, pois foi escrito a bordo do cruzador República, que serviu de apoio à viajem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

Nele ia um sendinês, Domingos Augusto Fernandes que nos conta dia a dia a sua intervenção na viagem.

          

A forma como conta a viagem é uma obra digna de se ler. Eu apenas dou aqui notícias de Sendim e dos sendineses. Esperem pela publicação para saberem tudo sobre a viagem.

 

          

O sr. António Fernandes quiz que o livro ficasse no arquivo cultural da Junta de Freguesia.

Mário Correia está a fazer um trabalho para publicação do diário e fez já a cópia para CD e assim poder guardar no Centro de Música Tradicional Sons da Terra.

sinto-me:
música: silêncio
publicado por mirandum às 21:42
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Sábado, 22 de Setembro de 2007

AS PAULITEIRAS - ORIGENS

AS PAULITEIRAS - PALOTEO - DANÇA DOS PAUS

 

No seguimento do que escrevi no post anterior venho hoje escrever o que prometi.

 

               

A páginas 461 e 462 do « Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas » 1º. Volume, 1984 – escreve António Maria Mourinho:

- Em 1953, o saudoso amigo, falecido há pouco tempo e distinto folclorista e musicólogo espanhol, Dr. Manuel Garcia Matos que foi creio que até à morte director do Instituto de Musicologia, adstrito ao Instituto Superior de Investigaciones Científicas de Espanha, disse-me em Madrid, que era muito difícil estabelecer definitivamente a origem desta dança, advertindo-me no entanto que ela seria, no início, «uma dança de fertilidade». (Ainda hoje, nas nossas festas e nas de Espanha, é uma dança das Festas das Colheitas e a contribuição para as mesmas festas é dada em géneros: cereal e vinho).

O Dr. Garcia Matos, em « Lírica Popular de Alta Estremadura, (folk-lore musical, coreográfico e costumbrista)» de 430 páginas, com 436 documentos musicais inéditos, várias lâminas em foto-gravuras, muitos desenhos e gráficos diversos, faz, entre outras coisas, uma análise muito cuidada desta dança (danza de palos), em toda a sua manifestação.

Diz que ela teria a sua origem na dança dos Curetes e Curibantes da Tartésia, dançada por homens em trajo militar e também por mulheres1, ao som do aulo  (o aulo do grego aulós, era a flauta de dois tubos, ou melhor,  de tubo duplo entre os gregos)  e que nasceu com o carácter religioso que ainda hoje mantém. –

 

                

                           Pauliteiras de Bemposta

A página 458, do Cancioneiro já citado, António Maria Mourinho, em nota de  rodapé dá-nos ainda esta indicação:

Em 1949, vimos em Madrid um grupo feminino de Villares de la Reina, perto de Salamanca, composto de raparigas belissimamente vestidas de charras (camponesas salamantinas), de saias e jaqués e aventais profusa e ricamente bordados de vidrilhos e lantejoulas com penteados muito belos e curiosísimos e o pescoço e o peito adornados de grandes cordões de cordas filigranadas e douradas.

 

                

                   Grupo Folclórico de Aires de Madrigal

Em Maio de 1957, encontramo-las de novo em Madrid, no mesmo grupo,  e vimos mais um grupo de Valladolid, composto de raparigas vestindo trajos muito brancos guarnecidos de rendas à maneira de túnicas, com banda de seda colorida a tiracolo, tudo parecendo restauração recente. Dançavam uma mourisca MUITO ESPECTACULAR com muita destreza e graça.

Também nós vimos vários grupos de raparigas, quer em Espanha, quer em Portugal. Sendo de realçar os grupos de Bemposta e de Valcerto, além do nosso lindo grupo de Miranda.

 

               

                             Pauliteiras de Valcerto

 

sinto-me: calmo
música: silêncio
publicado por mirandum às 11:54
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

AS PAULITEIRAS - SUAS ORIGENS

PAULITEIROS - PALOTEO - DANÇA DOS PAUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pauliteiras de Miranda

  

Muito se tem especulado sobre se é correcto ou não haver grupos de pauliteiras.

Muitas são as teorias sobre a dança dos paus.

É hábito os estudiosos opinarem sobre o assunto e para isso servem-se do que muito bem entendem para defenderem as suas posições.

Mas, que melhor fonte que aquela que deita água da nascente?

A dança, os dançadores e dançadeiras são documentos vivos. Não é por acaso que usam determinadas roupas ou instrumentos, não é por acaso que mantêm os vários rituais na dança, não é por acaso que há grupos de rapazes e raparigas, não é por acaso que dançam em determinadas festas e épocas do ano, não é por acaso que mantêm as mesmas tradições e que até a música e a letra de muitos “lhaços” é semelhante, por toda a parte onde a dança se mantém.

Se há grupos de rapazes e de raparigas em várias localidades da Terra de Miranda e em todo o Norte de Espanha, não é só porque um qualquer se lembrou de fazer um grupo de raparigas.

 

 

 

 

 

              

                             Grupo de Alija del Infantado (León)

 

 

 

 

 

Se isso assim fosse, tal grupo manter-se-ia por algum tempo, mas não perduraria no tempo e em tantos locais, como acontece com os grupos de pauliteiras que actualmente existem.

Há até grupos mistos.

Se há estes grupos é porque sempre os houve desde que a dança existe.

 

 

 

 

 

              

                          Grupo de Dueñas (Castilla y Leon)

Para mim, como pauliteiro, bastar-me-ia este raciocínio, se não teria que pôr em causa tudo o que gira em volta da dança, desde os trajes às músicas e letras, desde as formas de dançar aos rituais próprios da dança e que só quem foi ou é pauliteiro sabe e compreende.

Um pauliteiro

 

Nota: No próximo texto deste blog e para descanso dos que se preocupam com justificações para mestrados e doutoramentos apresentarei o que a respeito das pauliteiras escreveu um credenciado estudioso.

 

música: rapazica - Pica Tomilho
sinto-me: bem
publicado por mirandum às 19:48
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

PAULITEIROS - LHAÇOS - LETRAS

LETRAS DOS LHAÇOS DOS PAULITEIROS

 

 

 

Pauliteiros de Malhadas

 

j)-Lhaços sem letra

1-Binte i cinco abierto

2-Binte i cinco de ruoda

3-L fado1

4-La bitcha2

5-Las rosas3

6-Las tairas

7-Salto al Castilho

Há quem não considere este lhaço como uma dança típica, mas os lhaços sofreram ao longo dos tempos várias influências e quem é quem para aferir da genuidade dos lhaços? Canedo é um exemplo e o Drº. Mourinho não deixou de o considerar no seu livro «Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas».

 

 

2 Há uma letra para uma dança com este nome, mas que é dançada por toda a gente, nada tem a ver com a bitcha que dançam os pauliteiros e que serve para encerrar os lhaços ou para dançar nos peditórios. Os dançadores, nesta parte, utilizam as castanholas, que tocam com mestria.

 

Este lhaço é diferente do lhaço das rosas cuja letra indicamos. Este é dançado nos peditórios e os dançadores não utilizam os paus, tocam apenas as castanholas.

 

música: tradicional
sinto-me: com sono
publicado por mirandum às 23:05
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

PAULITEIROS - LHAÇOS - LETRAS

LETRAS DOS LHAÇOS DOS PAULITEIROS

 

 

 

 

Pauliteiros de Sendim

 

i)-Lhaços de outros motivos

1-Cabalhero

Cabalhero,

Se quieres benir,

Dá-me la mano,

Dá-me l pie;

Monta la mula

I bai-te deiqui!...

Bai-te deiqui.

2-Canedo

Já mataram o Canedo

Mas não foi na sua terra;

Já mataram o Canedo,

Mas não foi na sua terra;

Foi no Santo António da Barca,

À esquina da capela;

Foi no Santo António da Barca,

À esquina da capela!

O Canedo estava borracho,

Com vinho e aguardente;

O Canedo estava borracho,

Com vinho e aguardente;

Mandaram tocar a fogo,

No meio de tanta gente!...

Já mataram o Canedo,

No meio de tanta gente!...

(Lhaço em português e que não é mais, que uma adaptação de uma história de cordel, que era tão usual cantar-se em verso nas feiras de meados do século xx, em toda a Terra de Miranda, a respeito de um acontecimento trágico.)

3-L gato

Un gato caiu nun poço,

Que outro gato l ambarrou;

Outro le dába la mano,

I tamien alhá quedou!...

Alhá quedou.

4-La mulhier

La mulhier,

Que ye branca i tierna,

Dura de la pierna;

L cura le pediu un beisico

I eilha se lo dá…

Eilha debe de ser ua rainha,

I l cura un Cardenal!...

Un Cardenal.

5-La posada

Se mos dais posada

En Santo Anton;

Se mos dais posada,

En vuestro meson;

En troca bos damos

Vida i corazón!...

Vida i corazón.

(versão em castelhano)

6-La scura

Scura, scura, scura,

Que la nuite stá!...

Quien la drumirá,

Quien la drumirá!...

Quien la drumirá,

Quien la drumirá!...

(versão de Caçarelhos)

7-La (T)china1

Picou-me ua (t)china,

No carcanhal!...

Picou-me ua (t)china,

Nun puodo andar!...

I nun puodo andar.

1 O (T) é para realçar a pronuncia mirandesa

 

música: silêncio
sinto-me: bem
publicado por mirandum às 16:08
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